quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Pensando bem

Como eu estava de aniversário ontem, ganhei vários presentes. Um deles foi o texto abaixo, que não foi enviado como presente, mas, considerei como tal. Vejam:

O Dr. Arun Gandhi (foto), quinto neto de Mahatma Gandhi, e fundador do Instituto M.K. Gandhi para a Vida Sem Violência, em sua palestra de 9 de junho, na Universidade de Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo da vida sem violência exemplificada por seus pais:

"Eu tinha 16 anos e estava vivendo com meus pais no instituto que meu avô havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar. Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, sempre nos entusiasmava, às duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema.


Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade.


Como iria à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermercado, as quais necessitava, e como iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina.


Quando me despedi de meu pai, ele me disse: 'Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos.


Após, muito rapidamente, completar todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando me lembrei. Corri à oficina, peguei o carro e corri até onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde.


Ele me perguntou com ansiedade: Por que chegaste tarde?


Eu me sentia mal com o fato e não lhe podia dizer que estava assistindo um filme de John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar. Isto eu disse sem saber que meu pai já havia ligado para a oficina.


Quando ele se deu conta de que eu havia mentido, disse-me: Algo não anda bem na maneira pela qual lhe educo, por não ter confiançaem dizer-me a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto.


Assim, vestido com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a casa, por caminhos que nem estavam asfaltados nem iluminados. Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele... vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria mentir.


Muitas vezes me recordo desse episódio e penso. Se ele me tivesse castigado do modo que castigamos nossos filhos, eu teria aprendido a lição? Não acredito. Se tivesse sofrido o castigo, continuaria fazendo o mesmo. Mas, tal ação de não-violência foi tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem... Este é o poder da vida sem violência."

4 comentários:

Marco Antonio Zanfra disse...

É uma boa maneira de ensinar. Mas duvido que muitos de nossos adolescentes, hoje em dia, aprenderiam alguma coisa, mesmo que seus pais fizessem o trajeto, ida e volta, do Santinho ao Pântano do Sul.

gustavo schwabe disse...

É uma excelente história... pra palestras e livros de autoajuda.

Infelizmente (será?) a violência muitas vezes se faz necessária. E o próprio Gandhi sabia disso. No processo de libertação da colônia indiana, usou como arma a ameaça do imperialismo japonês. De forma hipócrita, usufruiu de uma "violência terceirizada".

Portanto, não se iludam: umas palmadinhas bem dadas têm o seu valor.

vera regina disse...

é muito bom ler coisas inteligentes. a mensagem que tiro é que um pequeno gesto de humildade pode corrigir grandes erros futuros.

vera maria

Fabiano Marques disse...

O Gustavo tem razão. Não se deve evitar as tais palmadinhas.
Agora, elas não são lá muito corretivas não. Aliás, para uns sim, para outros não. Como tudo na vida, tem que saber a quem e como se deve ameaçar.
E é aí que mora o perigo.