sábado, 22 de maio de 2010

Era só o que faltava

Florianópolis, dez e meia da noite.


O repórter Felipe Pereira, do Diário Catarinense, foi preso pela Polícia Militar de Santa Catarina durante a cobertura de uma manifestação de estudantes contrários ao aumento da passagem de ônibus na capital. O motivo: desacato.
Desacato?

Foi defender o pão trabalhando, levou pancada com cassetete, e é acusado de desacato.
Desacato?

Tudo aconteceu quando policiais ameaçavam jogar seus veículos contra os manifestantes.

Policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático - PPT fizeram a lambança. Um P2 foi pra cima do fotógrafo Flávio Neves, também do DC, que registrava o tumulto e danificou o equipamento dele.

Segundo reportagem do ClicRBS, Flávio disse que um PM à paisana o espremeu numa parede, questionando se ele era manifestante. O fotógrafo respondeu que era jornalista e mostrou o crachá da empresa. Mesmo assim, ele quebrou o flash da máquina.

Ao questionar a atitude, Felipe foi acusado de desacato, algemado e levado para a delegacia.
Desacato?

O repórter da RBSTV Raphael Faraco estava no local, não foi preso, mas se dirigiu à delegacia para dar informações sobre o caso. Disse que eles foram xingados pelos policiais. Segundo os jornalistas, a polícia os tratou de forma inadequada.
Desacato?

Cassetete para bater em jornalista?
Desacato?

A Secretaria de Segurança Pública vai investigar a situação. Tá bom.
Olha, conheço bem o trabalho do Felipe Pereira. Desacato, partindo dele? Duvido.
De policiais assim o inferno está lotado. Deles eu não duvido.

Felipe assinou um termo circunstanciado e foi ao Instituto Geral de Perícias para exame de corpo de delito.
Raphael Faraco também assinou um TC.

O Coronel Newton Ramlow, comandante do batalhão que atua na região central da capital catarinense, não atendeu ao telefone. Sem explicações, por enquanto.

Fica o alerta: Cuidado, trabalhar pode dar cadeia.
A não ser que você trabalhe com uma farda do PPT.

Esse vídeo foi gravado depois da agressão.

11 comentários:

jair junior disse...

esse tipo de situação é inadmissível. digno dos tempos do regime de exceção.espera-se que no mínimo a secretaria de segurança pública peça desculpas públicas, sob o risco de contínuas práticas abusivas contra a imprensa por parte de uma polícia despreparada. momentos de conflitos, sejam eles quais forem, não podem servir como motivo para atitudes impensadas.

José Carlos disse...

O Felipe, ou Maionese, como é conhecido, não desacata nem árbitro de futebol.
Palhaçada isso. Muita palhaçada!!!

Revolts disse...

PMs FDP do Cassetete.

Cínthia disse...

Detalhe, eu vi, ele foi colocado de forma humilhante (se é que é possível ser diferente) dentro de um camburão.
Não são todos, mas, no geral esses políciais são um nojo.

Caio disse...

Nota da Associação Catarinense de Imprensa:

ACI se solidariza e lamenta episódio de violência contra jornalistas

A Associação Catarinense de Imprensa se solidariza com os profissionais Felipe Pereira, Flávio Neves (Diário Catarinense) e Rafael Faraco (RBS TV), vítimas de uma conduta violenta e absolutamente desnecessária de membros da Polícia Militar, na noite da última sexta-feira (21-05), na cobertura da manifestação de estudantes no centro de Florianópolis.

A ACI lamenta o episódio e espera sensatez e serenidade dos efetivos da Polícia Militar, em especial quando se relacionam com profissionais de Imprensa, cuja presença nos eventos públicos está justificada pelo dever de ofício e pautada pela isenção.

Reforçamos nossa convicção de que o ocorrido será apurado com rigor pelas autoridades de segurança pública de Santa Catarina e que haverá um esforço para que não se repita.

A liberdade de Imprensa, seja na cobertura dos fatos ou na expressão de opinião, é coluna essencial na sustentação do estado democrático de direito.

Florianópolis, 21 de maio, 2010.
A Diretoria

noticiasdeneves disse...

É um absurdo o que atualmente está ocorrendo no Brasil. Esse episódio de Santa Catarina NÃO é fato isolado. Nesta semana um grupo da Polícia Militar agrediu vários estudantes da Faculdade Pitagoras que protestavam contra o sistema de educação que seria implantado naquele centro universitário, além de ter agredido alunos e professores, a PM de Minas Gerais ainda entrou na faculdade, nas salas de aula e até na administração da unidade e agrediu também os alunos que alí procuraram refúgio ocntra as investidas dos enfurecidos milicanos. Nestes epísódios há uma inpunidade e a omissão dos governadores que para manter uma política de segurança pública equivocada estão fingindo desconhecer estes abusos. A imprensa tem que colocar a cara dos governadores à frente nestas. A Cãmara federal precisa acabar com o militarismo policial no Brasil. A existência de Policias Militares são resquícios de países ditatoriais militarizados. O Brasil não precisa de Polícias militares. Lugar de militares é nas fronteiras do País e não agredindo a população como se fosse um bando de criminosos fardados que se escondem atrás de uma farda.

Marcos Figueiredo disse...

É um absurdo o que está ocorrendo no Brasil. Os excessos das polícias militares são corroborados por uma política de segurança pública equivocada dos Governadores. A imprensa precisa ilustrar as matérias sobre abuso de PMs colocando a cara dos governadores. São eles que fingem desconhecer estes abusos. O Brasil democrático não precisa de Policias Militares. Polícias Militares são resquícios de regimes autoritários militarizados. A Sociedade Brasileira está mudando e já não é aceitável que cidadãos civis sejam presos e conduzidos para quarteis antes de serem encaminhados para as delegacias.
Apenas para se ilustrar os excessos cometidos por estes milicianos, também na semana, em Belo Horizonte, alunos da Faculdade Pitagoras na Zona Sul da capital protestavam contra o novo sistema de ensino a se implantar na unidade quando PMs chegaram agredindo todo mundo. Alunas foram agarradas pelos cabelos e jogadas contra a parede. Outros alunos se refugiaram no interior da faculdade sendo perseguidos implacavelmente até no inteiror das salas de aulas.
É um absurdo! Se a sociedade não se mobilizar, ficaremos todos a mercê dos abusos de Militares. Para muitos deles a lei não existe e o que importa é a agressão contra a cidadãos civis. Eles são adestrados para enxergar no cidadão civil um iminente inimigo. Uma polícia para ser eficiente não precisa ser militarizada, pois, eles prendem cidadãos que respondem pelos crimes cometidos na justça comum, mas, os crimes deles contra o cidadão são respondidos num foro privilegiado chamado Justiça Militar. Está totalmente errado. Porque os Policiais Civis e Federais respondem pelos seus crimes na justiça comum e eles não?

Charles disse...

Até não fico surpreso,lembram que a mesma policia prendeu um policial civil,em plena luz do dia,onde o mesmo se encontrava com sua esposa e filho..A NOSSA P.M.SC NÃO PODE TER TANTOS POLICIAS C/ DESPREPARO EVIDENTE.Atenção autoridades!!!

Julia Zanatta disse...

Quando me ligaram para avisar que ele estava preso nem acreditei. Parei e pensei: em que ano estamos? Ou, em que país? Ridículo!

Marco Antonio Zanfra disse...

Ora, você queria o quê? Que o PPT fosse enfrentar bandido, que costuma reagir a, elém de tudo, anda armado?
Jorge Araújo, premiado fotógrafo da 'Folha', tinha uma versão própria para o hino da PM Paulista: "Legião de idealistas/Nós batemos em jornalistas..."

Fabiano Marques disse...

Nota do Sindicato dos Jornalistas/SC

Repúdio à Polícia Militar


O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina vem a público repudiar a ação da Polícia Militar catarinense que, não satisfeita em reprimir de maneira violenta os protestos pacíficos da população de Florianópolis contra o aumento das tarifas de ônibus – enfrentando inclusive crianças – agora decidiu impedir os profissionais da comunicação de fazer o seu trabalho de informar sobre os fatos.

Na última sexta-feira, chegou ao extremo de algemar e deter um jornalista, sob a alegação de desacato a autoridade, por ele ter se manifestado no momento em que outro policial tentava impedir o repórter-fotográfico de realizar suas fotos.

Reproduzindo momentos da nossa história que acreditávamos banidos para sempre, a PM de Santa Catarina tem protagonizado cenas de desrespeito ao direito dos cidadãos. É bom que a comunidade saiba que esta polícia que age de forma truculenta é paga com os impostos arrecadados de toda a sociedade. Logo, deveria protegê-la, em lugar de reprimir e impedir a circulação da informação.

A livre manifestação está assegurada na Constituição brasileira. Portanto, não há nada que justifique os fatos registrados na capital catarinense.

Quanto ao trabalho dos jornalistas, é inadmissível que o governo do Estado permita uma ação truculenta como a que foi registrada na sexta-feira. Os profissionais precisam estar junto às manifestações para narrar o que de fato acontece nas ruas de Florianópolis. Se a sociedade permitir que policiais à paisana possam intimidar, impedir a realização do trabalho e, o extremo, que os que têm a condição da força e das armas possam algemar e deter um jornalista por ele estar registrando os eventos nos quais os policiais estão envolvidos, estaremos retrocedendo aos tempos de exceção, em que a liberdade de expressão era tolhida e a população permanecia vendada sobre o que ocorria no país.

Nosso repúdio ao governo do estado, que é, em última instância, o responsável pela ação da Polícia Militar, nosso repúdio ao comando da PM, que não coíbe este tipo de abuso e nossa solidariedade total aos profissionais envolvidos no episódio. O Sindicato se coloca à disposição para qualquer ação que possa ser efetivada e cobrará do governador uma resposta a estes fatos. Se casos como esses forem considerados “normais” em tempos de manifestações e protestos, voltaremos a viver os tempos sombrios da ditadura militar, e isso não podemos admitir, nem como jornalistas, nem como povo.

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina