Na semana passada escrevi sobre o drama de uma família vítima do crack.
Pois bem. O Conselho Tutelar de Florianópolis, finalmente, fez alguma coisa.
As três crianças foram levadas para a Cidade da Criança. Logo, os irmãos estarão em um abrigo para menores.
Os pais aceitaram tratamento contra a dependência.
Ficarão internados por seis meses em uma clínica da região da capital.
As coisas estão se encaminhando. Se uma andorinha não faz verão, algumas conseguem voar juntas e resolver a situação.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Cigano
Como sempre, deixo aqui um pouco de música para os olhos e ouvidos dos visitantes.
Outro dia estava revirando um arquivo pessoal da época em que fazia jornalismo cultural em Curitiba e achei uma pérola da world music.
Thierry Robin ou, simplismente, Titi Robin, como é chamado na França.
É um compositor francês, cigano, com um talento impressionante. Ele tem uma parceria musical com uma indiana chamada Gulabi Sapera. As composições são, como diria um amigo, puro mantra.
Thierry é um dos violonistas com maior habilidade que já vi tocar. A técnica é diferente, claro, de um Yamandú Costa, de um Garoto, de um Baden Powel (o Brasil é demais). O fato é que o cigano é fera. Já o vi tocando e tenho um vídeo do Rock'n Rio-Lisboa, mas, o que vou apresentar aqui é um dueto com a Gulabi em Jaipur, capital do Rajastão, terra natal dos ciganos.
Uma tradição incrível. Um fervilhão cultural.
Se quiserem pesquisar um pouco mais, tentem ouvir na internet a composição "La Petite Mer" do disco Gitans, de 1993. Melhor, corram encomendar esse disco. É sensacional. Foi o primeiro dele que conheci. Ainda bem que ouvi bastante antes de ter sido roubado. Pelo menos, o afanador de cds tem bom gosto.
Tradução: Gitan significa cigano, em francês. Não deixem de ouvir.
Detalhe: Na jam franco-indiana, dá pra ver o Thierry pedindo para o percussionista dar um tempo no batuque para que o solo de violão deixe de ser solo e se torne num duo com a dança da cigana. Um brinde à vida.
No site oficial do cigano vocês conseguem ouvir La Petite Mer. Aqui, um vídeo clandestino absolutamente genial direto do Jaipur.
Paix.
Outro dia estava revirando um arquivo pessoal da época em que fazia jornalismo cultural em Curitiba e achei uma pérola da world music.
Thierry Robin ou, simplismente, Titi Robin, como é chamado na França.
É um compositor francês, cigano, com um talento impressionante. Ele tem uma parceria musical com uma indiana chamada Gulabi Sapera. As composições são, como diria um amigo, puro mantra.
Thierry é um dos violonistas com maior habilidade que já vi tocar. A técnica é diferente, claro, de um Yamandú Costa, de um Garoto, de um Baden Powel (o Brasil é demais). O fato é que o cigano é fera. Já o vi tocando e tenho um vídeo do Rock'n Rio-Lisboa, mas, o que vou apresentar aqui é um dueto com a Gulabi em Jaipur, capital do Rajastão, terra natal dos ciganos.
Uma tradição incrível. Um fervilhão cultural.
Se quiserem pesquisar um pouco mais, tentem ouvir na internet a composição "La Petite Mer" do disco Gitans, de 1993. Melhor, corram encomendar esse disco. É sensacional. Foi o primeiro dele que conheci. Ainda bem que ouvi bastante antes de ter sido roubado. Pelo menos, o afanador de cds tem bom gosto.
Tradução: Gitan significa cigano, em francês. Não deixem de ouvir.
Detalhe: Na jam franco-indiana, dá pra ver o Thierry pedindo para o percussionista dar um tempo no batuque para que o solo de violão deixe de ser solo e se torne num duo com a dança da cigana. Um brinde à vida.
No site oficial do cigano vocês conseguem ouvir La Petite Mer. Aqui, um vídeo clandestino absolutamente genial direto do Jaipur.
Paix.
sábado, 29 de maio de 2010
Melhor Índice de Desenvolvimento Humano?
Florianópolis tem o prazer de anunciar aos quatro ventos que é considerada a capital com a mais alta qualidade de vida do país, com IDH de 0,875.Ótimo. Morar em uma cidade assim, faz valer cada centavo de imposto pago. Dá validade a todo voto confirmado nas urnas, mas, como na foto, o que é ruim fica debaixo das botas dos coronéis.
Tudo na vida tem um revés. Nenhuma moeda é feita apenas de coroa e a capital catarinense também mostra a sua cara. Traz à luz os seus vexames sociais, escondidos e ignorados pela maioria.
O fato que vou relatar é verdadeiro. Os nomes, fictícios. O lugar, real.
Tereza é moradora de um bairro de Florianópolis, vizinho da comunidade da Vila Aparecida. Um morro bastante conhecido localizado na parte continental da cidade. Um local marginalizado por abrigar pobres, traficantes e trabalhadores. Tudo na mesma panela social.
Há dois anos, Tereza recebia em seu condomínio, uma vez por semana, uma família que buscava papel para reciclagem. Essa família morava na Vila Aparecida. Eram cinco pessoas. O casal e três filhos.
Com o passar do tempo, eles deixaram de coletar o material. Sumiram.
Agora, em 2010, Tereza começou um trabalho voluntário na Vila Aparecida. Ajuda a cuidar de crianças numa ONG.
Logo nos primeiros dias, ela reconheceu três irmãos que participam das atividades. Uma garotinha de quatro anos, aqui chamada de Maria, outra de sete anos, Ana, e o mais velho, João, com 11. Eram eles que iam com os pais em busca de papel. Em busca de renda.
Os pais deixaram de fazer o serviço. Começaram a usar crack. A droga tomou conta da vida de todos. Enquanto os pais fumam as pedras, os filhos ficam sem comida, sem roupa, sem educação, sem atenção. A situação é tão grave que a ONG não pode mandar cesta básica para a casa deles porque os pais vendem para comprar crack.
O filho mais velho, João, é obrigado a cuidar de carros nas ruas para garantir um troco e manter o cachimbo aceso para os pais. O caso já foi levado ao conselho tutelar. Dizem os vizinhos que ninguém fez nada porque o pai faz ameaças.
Esta semana, Tereza foi dar banho na caçula, Maria, e viu que a genitália da garotinha estava com uma inflamação. Horrorizada, perguntou o que houve. E ouviu a mais chocante das respostas:
"Fui mordida por um rato, tia".
Uma pessoa da área da saúde foi chamada. A menina recebeu cuidados. Mas a família, e tantas outras famílias, continuam lá, na Vila Aparecida. Convivendo com ratos, com crack, com pobreza e com o discurso mentiroso dos ratos que por lá só aparecem de quatro em quatro anos - esses roedores de sonhos que moram em mansões pagas sabe-se lá como.
O final dessa história é uma simples constatação. Alguém tem que puxar o IDH pra cima. Nem que seja gastando muito dinheiro, público ou privado, sem visitar as Vilas Aparecidas da cidade.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Música no latão!
Diante da briga entre os estudantes e a Prefeitura de Florianópolis sobre o aumento da passagem de ônibus, um vídeo para acalmar os ânimos.
Durante a faculdade de jornalismo, Pedro Kuhnen, hoje produtor da RBSTV, revelou um momento cultural na vida dos viajantes do transporte coletivo da capital catarinense. Acho até que a viagem foi dele, mas, todos do latão pegaram carona na história.
No primeiro ano de vida acadêmica ele teve a seguinte idéia: gravar imagens e entrevistas com um celular para produzir reportagens, editadas na casa dele, lá nas bandas da Barra da Lagoa. Momento criativo que deve ter nascido por causa do tempo que se leva pra ir de ônibus até a Barra. São horas dentro do buzão. No fim de semana, são dias. Dois, pelo menos. Um pra ir e outro pra voltar.
Só isso já bastaria para o Pedro entrar no movimento dos estudantes contra o transporte coletivo da capital.
Pois agora. O prozeto (ele é manezinho e troca o j pelo z - melhor do que os gringos que pronunciam jota com x). Perdi o fio da meada.
Pois agora, o prozeto do Pedro foi premiado em Santa Catarina pela iniciativa de usar uma nova mídia para contar histórias. Aluno aplicado, surfista e poeta - sim, ele mesmo admite que fez poesia no vídeo - formou-se e deixou de andar de ônibus. Agora parou de produzir seus vts clandestinos.
Detalhe importantíssimo!!! O gaiteiro que toca no ônibus é praticamente um Raul Seixas revoltado com o bom e velho rock. Aliás, a trilha sonora, já que era um passeio de coletivo, deveria ser aquela do maluco beleza: "Pedro onde você vai eu também vou...."
O Pedro, crítico, ainda deu um puxão de orelha num moleque que passou a viagem inteira com um fone de ouvido. Mesmo diante de um showzaço sobre rodas. Dá para ver, em segundo plano, o jovemMP3 durante a sonora da passageira Adriana Nunes.
Chega de enrolação. Veja o vídeo:
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Durante a faculdade de jornalismo, Pedro Kuhnen, hoje produtor da RBSTV, revelou um momento cultural na vida dos viajantes do transporte coletivo da capital catarinense. Acho até que a viagem foi dele, mas, todos do latão pegaram carona na história.
No primeiro ano de vida acadêmica ele teve a seguinte idéia: gravar imagens e entrevistas com um celular para produzir reportagens, editadas na casa dele, lá nas bandas da Barra da Lagoa. Momento criativo que deve ter nascido por causa do tempo que se leva pra ir de ônibus até a Barra. São horas dentro do buzão. No fim de semana, são dias. Dois, pelo menos. Um pra ir e outro pra voltar.
Só isso já bastaria para o Pedro entrar no movimento dos estudantes contra o transporte coletivo da capital.
Pois agora. O prozeto (ele é manezinho e troca o j pelo z - melhor do que os gringos que pronunciam jota com x). Perdi o fio da meada.
Pois agora, o prozeto do Pedro foi premiado em Santa Catarina pela iniciativa de usar uma nova mídia para contar histórias. Aluno aplicado, surfista e poeta - sim, ele mesmo admite que fez poesia no vídeo - formou-se e deixou de andar de ônibus. Agora parou de produzir seus vts clandestinos.
Detalhe importantíssimo!!! O gaiteiro que toca no ônibus é praticamente um Raul Seixas revoltado com o bom e velho rock. Aliás, a trilha sonora, já que era um passeio de coletivo, deveria ser aquela do maluco beleza: "Pedro onde você vai eu também vou...."
O Pedro, crítico, ainda deu um puxão de orelha num moleque que passou a viagem inteira com um fone de ouvido. Mesmo diante de um showzaço sobre rodas. Dá para ver, em segundo plano, o jovemMP3 durante a sonora da passageira Adriana Nunes.
Chega de enrolação. Veja o vídeo:
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Jornalista preso
O Diário Catarinense de segunda-feira publicou um editorial sobre a prisão do repórter Felipe Pereira.
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2913897.xml&template=3898.dwt&edition=14752§ion=1320
A Polícia Militar de Santa Catarina instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos.
Por enquanto, ninguém foi ouvido. O jeito é colocar o assunto na agenda diária.
As manifestações dos estudantes contra o aumento do preço da passagem de ônibus continua. Em dois dias de passeatas pelas ruas, muita agitação. Ruas bloqueadas por policiais, barricadas feitas pelos manifestantes para trancar o trânsito e vários atos públicos.
Nesta terça-feira, quatro estudantes foram levados para a delegacia de polícia. Dois eram menores. O grupo foi acusado de depredação dos patrimônios públicos e privados.
Agora, será que a prefeitura está preocupada com essa manifestação? Será que os responsáveis pelo aumento se importam com as paesseatas, já que, fica tudo na mão da polícia e da população?
Difícil.
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2913897.xml&template=3898.dwt&edition=14752§ion=1320
A Polícia Militar de Santa Catarina instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos.
Por enquanto, ninguém foi ouvido. O jeito é colocar o assunto na agenda diária.
As manifestações dos estudantes contra o aumento do preço da passagem de ônibus continua. Em dois dias de passeatas pelas ruas, muita agitação. Ruas bloqueadas por policiais, barricadas feitas pelos manifestantes para trancar o trânsito e vários atos públicos.
Nesta terça-feira, quatro estudantes foram levados para a delegacia de polícia. Dois eram menores. O grupo foi acusado de depredação dos patrimônios públicos e privados.
Agora, será que a prefeitura está preocupada com essa manifestação? Será que os responsáveis pelo aumento se importam com as paesseatas, já que, fica tudo na mão da polícia e da população?
Difícil.
sábado, 22 de maio de 2010
Era só o que faltava
Florianópolis, dez e meia da noite.

O repórter Felipe Pereira, do Diário Catarinense, foi preso pela Polícia Militar de Santa Catarina durante a cobertura de uma manifestação de estudantes contrários ao aumento da passagem de ônibus na capital. O motivo: desacato.
Desacato?
Foi defender o pão trabalhando, levou pancada com cassetete, e é acusado de desacato.
Desacato?
Tudo aconteceu quando policiais ameaçavam jogar seus veículos contra os manifestantes.
Policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático - PPT fizeram a lambança. Um P2 foi pra cima do fotógrafo Flávio Neves, também do DC, que registrava o tumulto e danificou o equipamento dele.
Segundo reportagem do ClicRBS, Flávio disse que um PM à paisana o espremeu numa parede, questionando se ele era manifestante. O fotógrafo respondeu que era jornalista e mostrou o crachá da empresa. Mesmo assim, ele quebrou o flash da máquina.
Ao questionar a atitude, Felipe foi acusado de desacato, algemado e levado para a delegacia.
Desacato?
O repórter da RBSTV Raphael Faraco estava no local, não foi preso, mas se dirigiu à delegacia para dar informações sobre o caso. Disse que eles foram xingados pelos policiais. Segundo os jornalistas, a polícia os tratou de forma inadequada.
Desacato?
Cassetete para bater em jornalista?
Desacato?
A Secretaria de Segurança Pública vai investigar a situação. Tá bom.
Olha, conheço bem o trabalho do Felipe Pereira. Desacato, partindo dele? Duvido.
De policiais assim o inferno está lotado. Deles eu não duvido.
Felipe assinou um termo circunstanciado e foi ao Instituto Geral de Perícias para exame de corpo de delito.
Raphael Faraco também assinou um TC.
O Coronel Newton Ramlow, comandante do batalhão que atua na região central da capital catarinense, não atendeu ao telefone. Sem explicações, por enquanto.
Fica o alerta: Cuidado, trabalhar pode dar cadeia.
A não ser que você trabalhe com uma farda do PPT.
Esse vídeo foi gravado depois da agressão.

O repórter Felipe Pereira, do Diário Catarinense, foi preso pela Polícia Militar de Santa Catarina durante a cobertura de uma manifestação de estudantes contrários ao aumento da passagem de ônibus na capital. O motivo: desacato.
Desacato?
Foi defender o pão trabalhando, levou pancada com cassetete, e é acusado de desacato.
Desacato?
Tudo aconteceu quando policiais ameaçavam jogar seus veículos contra os manifestantes.
Policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático - PPT fizeram a lambança. Um P2 foi pra cima do fotógrafo Flávio Neves, também do DC, que registrava o tumulto e danificou o equipamento dele.
Segundo reportagem do ClicRBS, Flávio disse que um PM à paisana o espremeu numa parede, questionando se ele era manifestante. O fotógrafo respondeu que era jornalista e mostrou o crachá da empresa. Mesmo assim, ele quebrou o flash da máquina.
Ao questionar a atitude, Felipe foi acusado de desacato, algemado e levado para a delegacia.
Desacato?
O repórter da RBSTV Raphael Faraco estava no local, não foi preso, mas se dirigiu à delegacia para dar informações sobre o caso. Disse que eles foram xingados pelos policiais. Segundo os jornalistas, a polícia os tratou de forma inadequada.
Desacato?
Cassetete para bater em jornalista?
Desacato?
A Secretaria de Segurança Pública vai investigar a situação. Tá bom.
Olha, conheço bem o trabalho do Felipe Pereira. Desacato, partindo dele? Duvido.
De policiais assim o inferno está lotado. Deles eu não duvido.
Felipe assinou um termo circunstanciado e foi ao Instituto Geral de Perícias para exame de corpo de delito.
Raphael Faraco também assinou um TC.
O Coronel Newton Ramlow, comandante do batalhão que atua na região central da capital catarinense, não atendeu ao telefone. Sem explicações, por enquanto.
Fica o alerta: Cuidado, trabalhar pode dar cadeia.
A não ser que você trabalhe com uma farda do PPT.
Esse vídeo foi gravado depois da agressão.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Parabéns
Um dos meus maiores colaboradores, o YouTube, está completando 5 anos.
A google, que comprou o YouTube em 2006, está divulgando números impressionantes:
2 bilhões de vídeos por dia, 24 horas de vídeos são publicados a cada minuto, o vídeo mais visto é o clipe Bad Romance, de Lady Gaga, com 200 milhões/views.
Não gosto da Lady Gaga. Não por ela ser supostamente hermafrodita, mas, por gosto musical mesmo. Agora, uma coisa é uma coisa, outra coisa...... não adianta, tenho que respeitar esses acessos ao Bad Romance.
Logo, logo, começam a cobrar pelo serviço. Podem esperar.
Bom, fuçando no site da google, como sempre, achei uma novidade para mim.
Chama-se Greg Pattillo. Um nova iorquino que toca flauta transversal. Tá, isso é normal. O fora do comum é que ele faz beatbox tocando flauta.
Assisti aos 53 vídeos dele na internet. Pattillo e uns camaradas tocam em estações de metrô, parques, salas, teatros e botecos de Nova York.
O cara é bom. Original. Merece espaço para 2 vídeos.
A google, que comprou o YouTube em 2006, está divulgando números impressionantes:
2 bilhões de vídeos por dia, 24 horas de vídeos são publicados a cada minuto, o vídeo mais visto é o clipe Bad Romance, de Lady Gaga, com 200 milhões/views.
Não gosto da Lady Gaga. Não por ela ser supostamente hermafrodita, mas, por gosto musical mesmo. Agora, uma coisa é uma coisa, outra coisa...... não adianta, tenho que respeitar esses acessos ao Bad Romance.
Logo, logo, começam a cobrar pelo serviço. Podem esperar.
Bom, fuçando no site da google, como sempre, achei uma novidade para mim.
Chama-se Greg Pattillo. Um nova iorquino que toca flauta transversal. Tá, isso é normal. O fora do comum é que ele faz beatbox tocando flauta.
Assisti aos 53 vídeos dele na internet. Pattillo e uns camaradas tocam em estações de metrô, parques, salas, teatros e botecos de Nova York.
O cara é bom. Original. Merece espaço para 2 vídeos.
sábado, 15 de maio de 2010
A alma da ponte
Já ouvi de tudo sobre a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis.
É bonita, é jazz, é símbolo, é cartão postal.
Só não ouvi dizer, claro, que ela é feia.
Mesmo enferrujada, em reforma, ela é imponente. Presente na cidade, da cidade, para a cidade.
Não acredito que alguém passe por ela sem notá-la.
Essa semana, 84 anos. No ano que vem, 85. A cada ano, uma história diferente.
É bonita, é jazz, é símbolo, é cartão postal.
Só não ouvi dizer, claro, que ela é feia.
Mesmo enferrujada, em reforma, ela é imponente. Presente na cidade, da cidade, para a cidade.
Não acredito que alguém passe por ela sem notá-la.
Essa semana, 84 anos. No ano que vem, 85. A cada ano, uma história diferente.
sábado, 8 de maio de 2010
Fui pra Croácia e voltei
Visitei um site da Croácia à procura de um vídeo. Queria encontrar alguma gravação sobre a morte do jogador Goran Tunjic, de 32 anos, durante uma partida de futebol.
Não seria apenas mais um vídeo sobre parada cardíaca de um atleta jogando futebol. Sería "o" vídeo.
Jednostavno srušio (simplismente ruiu) disse um colega sobre a morte de Goran. Mas a peculiaridade está no pós-morte. Ao invés de ver a luz, o jogador viu um baita cartão amarelo. Como o lance da queda foi dentro da área, o árbitro achou que fosse armação e, ao vê-lo caído, tascou o cartão.
O morto foi pras bandas dos desencarnados com um cartão amarelo. Pode? Pode.
Bom, voltando aos eixos textuais. Não achei o vídeo. Suspeito que eles não transmitem muito futebol por lá e os equipamentos eletrônicos que gravam ainda não estão popularizados. Se fosse aqui no Brasil, com certeza teriamos as imagens. Com essa história de bola cheia e bola murcha todo mundo grava. Até eu.
Mas, fuçando no sítio dos prijatelji crotatas (amigos croatas), achei outra coisa. Uma notícia sobre o futebol brazuca. Sensacional essa globalização. Apaixonante. Mesmo sem saber como se coloca uma vírgula em croata, senti como se tivesse navegando no esporte brasileiro.
A manchete deles era a seguinte: Samo u Brazilu (Somente no Brasil) que vinha acompanhada dessa foto:
Quando lí a tradução "somente no Brasil" deduzi que só no Brasil se encontra uma bunda dessas. Como não conheço todo o resto do mundo - e em Ciudad Del Leste, no Paraguai, a gente não tem tempo pra olhar para o lado - acredito que sim, que é só no Brasil, mas, a notícia deles não era essa. Era outra.
Eles falavam de futebol. Contavam a história de um gol do jogador Diogo, do Palmeiras B, pela terceira divisão do Paulistão. O craque-porco fez dois gols e empatou o jogo contra a Juventus na famosa Rua Javari. O curioso é que o goleiro palmeirense foi expulso e Diogo teve que assumir o lugar do arqueiro. Numa saída de bola, ele, o Diogo, deu um chutão, marcou o gol e virou o jogo. 3 x 2 Palmeiras B. Com o resultado o Verdão foi pra segunda divisão. Bela história.
Trocando em miúdos. Eu, que iria escrever sobre o infartado, mudei de idéia. Resolvi dar destaque à proximidade que temos com os prijatelji crotatas. Hoje, se eu encontrasse um croata num boteco, teria assunto para várias saideiras. A dificuldade seria o idioma. Teria que repetir algumas vezes a palavra zdravlje! - Saúde!
Tente repetir. A pronúncia melhora muito depois da terceira garrafa.
zdravlje!
Lá na croácia, ninguém vai tirar sarro porque você está arrastando a língua.
zdravlje!
Não seria apenas mais um vídeo sobre parada cardíaca de um atleta jogando futebol. Sería "o" vídeo.
Jednostavno srušio (simplismente ruiu) disse um colega sobre a morte de Goran. Mas a peculiaridade está no pós-morte. Ao invés de ver a luz, o jogador viu um baita cartão amarelo. Como o lance da queda foi dentro da área, o árbitro achou que fosse armação e, ao vê-lo caído, tascou o cartão.
O morto foi pras bandas dos desencarnados com um cartão amarelo. Pode? Pode.
Bom, voltando aos eixos textuais. Não achei o vídeo. Suspeito que eles não transmitem muito futebol por lá e os equipamentos eletrônicos que gravam ainda não estão popularizados. Se fosse aqui no Brasil, com certeza teriamos as imagens. Com essa história de bola cheia e bola murcha todo mundo grava. Até eu.
Mas, fuçando no sítio dos prijatelji crotatas (amigos croatas), achei outra coisa. Uma notícia sobre o futebol brazuca. Sensacional essa globalização. Apaixonante. Mesmo sem saber como se coloca uma vírgula em croata, senti como se tivesse navegando no esporte brasileiro.
A manchete deles era a seguinte: Samo u Brazilu (Somente no Brasil) que vinha acompanhada dessa foto:
Quando lí a tradução "somente no Brasil" deduzi que só no Brasil se encontra uma bunda dessas. Como não conheço todo o resto do mundo - e em Ciudad Del Leste, no Paraguai, a gente não tem tempo pra olhar para o lado - acredito que sim, que é só no Brasil, mas, a notícia deles não era essa. Era outra.Eles falavam de futebol. Contavam a história de um gol do jogador Diogo, do Palmeiras B, pela terceira divisão do Paulistão. O craque-porco fez dois gols e empatou o jogo contra a Juventus na famosa Rua Javari. O curioso é que o goleiro palmeirense foi expulso e Diogo teve que assumir o lugar do arqueiro. Numa saída de bola, ele, o Diogo, deu um chutão, marcou o gol e virou o jogo. 3 x 2 Palmeiras B. Com o resultado o Verdão foi pra segunda divisão. Bela história.
Trocando em miúdos. Eu, que iria escrever sobre o infartado, mudei de idéia. Resolvi dar destaque à proximidade que temos com os prijatelji crotatas. Hoje, se eu encontrasse um croata num boteco, teria assunto para várias saideiras. A dificuldade seria o idioma. Teria que repetir algumas vezes a palavra zdravlje! - Saúde!
Tente repetir. A pronúncia melhora muito depois da terceira garrafa.
zdravlje!
Lá na croácia, ninguém vai tirar sarro porque você está arrastando a língua.
zdravlje!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Grande Vovô!
Desde que conheci o projeto Playing For Change, fiquei fã de Grandpa Elliott.
Um senhor, no auge dos seus 65 anos, tocando harmonica e cantando no melhor estilo músico de rua. Blues, blues, blues!
Grandpa quebra paradigmas da arte de cantar. As palavras saem meio que sopradas de sua boca por causa dos dentes que não mais existem. Só há três deles na parte superior. Fonoaudiólogos que me desculpem, mas, isso é pura percussão! Um sopro na letra "s" que não tem comparação.
Se é bonito não sei, mas, que é simpático, que é artístico, isso é. Digamos que ele é uma Nara Leão exagerada.
Nara tinha os dentes da frente separados. Lembra? Então, o vovô caprichou na se-pa-ra-ção. E ficou ótimo.
O cara é simpático. Um talento impressionante. Eu nem me importo com a Pepsi que ele bebe em todos os episódios, afinal, como músico trabalhador, ele precisa faturar algum. Algum além daqueles cents que ganhou ao longo de anos tocando nas ruas de New Orleans.
Enfim, o vovô já havia mostrado a que veio quando gravou Don't Worry be Happy e Stand by Me. (veja http://emcimadapauta.blogspot.com/2009/11/solucao.html).
Agora ele canta Suggar Sweet. Sensacional. Simplismente sensacional.
Pegue sua namorada, namorado, ou qualquer pessoa que substitua esse rótulo: esposa, esposo, amante, gato, cachorro, galinha, ursinho de pelúcia, e dance. Dance porque a harmonia é das melhores. Baile.
Um senhor, no auge dos seus 65 anos, tocando harmonica e cantando no melhor estilo músico de rua. Blues, blues, blues!
Grandpa quebra paradigmas da arte de cantar. As palavras saem meio que sopradas de sua boca por causa dos dentes que não mais existem. Só há três deles na parte superior. Fonoaudiólogos que me desculpem, mas, isso é pura percussão! Um sopro na letra "s" que não tem comparação.
Se é bonito não sei, mas, que é simpático, que é artístico, isso é. Digamos que ele é uma Nara Leão exagerada.
Nara tinha os dentes da frente separados. Lembra? Então, o vovô caprichou na se-pa-ra-ção. E ficou ótimo.
O cara é simpático. Um talento impressionante. Eu nem me importo com a Pepsi que ele bebe em todos os episódios, afinal, como músico trabalhador, ele precisa faturar algum. Algum além daqueles cents que ganhou ao longo de anos tocando nas ruas de New Orleans.
Enfim, o vovô já havia mostrado a que veio quando gravou Don't Worry be Happy e Stand by Me. (veja http://emcimadapauta.blogspot.com/2009/11/solucao.html).
Agora ele canta Suggar Sweet. Sensacional. Simplismente sensacional.
Pegue sua namorada, namorado, ou qualquer pessoa que substitua esse rótulo: esposa, esposo, amante, gato, cachorro, galinha, ursinho de pelúcia, e dance. Dance porque a harmonia é das melhores. Baile.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Microsoft, o monstro.
"Respeitamos o desejo do governo brasileiro de apoiar a diversidade. Mas a política de apoio ao software livre não é exatamente a que eu gostaria. Preferiria uma posição de neutralidade"
Essa foi a frase dita pelo presidente da Microsoft, Steve Ballmer, a estudantes da Universidade de São Paulo durante palestra, nesta quarta-feira.
A crítica é contra o governo brasileiro que incentiva o uso de software livre, como o Linux.
O grandão da gigante americana quer posição de neutralidade? Porque será?
Ballmer se apegou a um estudo divulgado na segunda-feira pelo IPEA, dizendo que a internet brasileira é lenta, cara e mal distribuída. Engraçado o IPEA divulgar a pesquisa na segunda e, já na quarta, o grandão da Microsoft falar em palestra aqui no Brasil. Que sorte desse presidente hein ô! Baita gancho pra palestra. Quem me dera uma chance dessas nas minhas palestras. Conseguir uma pesquisa dois dias antes. E a meu favor!
Essa foi a frase dita pelo presidente da Microsoft, Steve Ballmer, a estudantes da Universidade de São Paulo durante palestra, nesta quarta-feira.
A crítica é contra o governo brasileiro que incentiva o uso de software livre, como o Linux.
O grandão da gigante americana quer posição de neutralidade? Porque será?
Ballmer se apegou a um estudo divulgado na segunda-feira pelo IPEA, dizendo que a internet brasileira é lenta, cara e mal distribuída. Engraçado o IPEA divulgar a pesquisa na segunda e, já na quarta, o grandão da Microsoft falar em palestra aqui no Brasil. Que sorte desse presidente hein ô! Baita gancho pra palestra. Quem me dera uma chance dessas nas minhas palestras. Conseguir uma pesquisa dois dias antes. E a meu favor!
Não que sejamos a oitava maravilha em Banda Larga. Muito pelo contrário, de acordo com o IPEA e os índices da União Internacional das Telecomunicações (UIT) órgão ligado à ONU, somos o 60o. lugar. Mas.....como levar banda larga ao Amapá, por exemplo? Só se colocarmos um cabo submerso no Rio Amazonas. Será que vai?
O Sr. Ballmer que experimente usar a internet em alguns países da Europa para ver o que acontece. E tente falar aos governos europeus que o que eles oferecem é ruim pra ver o que acontece. Vai sobrar um belo ponta pé no traseiro.
O Brasil é MESMO um país democrático.
- Sabe o que é doutor. Fui fazer uma palestra no Brasil e.....sexta-feira, 23 de abril de 2010
Você sabe com quem está falando?
A qualidade do áudio e do vídeo deixam a desejar.....mas o que vale é o conteúdo.
O promotor de justiça Affonso Ghizzo Neto* publicou um artigo hoje no Diario Catarinense a respeito do assunto. Aqui está:
Artigo - Sabe com quem está falando?
Carteiraços, uso particular de veículos públicos, engavetamento do projeto Ficha Limpa, aprovação da Lei da Mordaça (Lei Maluf), dentre outros acontecimentos, tudo isso pode ser compreendido a partir de uma leitura histórica da cultura brasileira e de seus objetos socioculturais. O que ocorreu nos tempos da colonização brasileira, seja no proceder autobeneficente dos funcionários públicos, seja na autodeterminação dos caudilhos, foi o flagrante predomínio e a disseminação da ideia da relevância dos interesses privados em comparação com os objetivos comuns públicos. A organização de dominação patrimonial já vinha desenvolvida da Coroa, sendo implementada na Colônia a partir de objetivos eticamente pessoais, individualistas, privativos e casuísticos, todos fermentados pela institucionalização da impunidade, quadro dramático que possibilitou o crescimento e a disseminação desenfreada de uma ética predatória.
Neste contexto, vale destacar uma abordagem à expressão “você sabe com quem está falando?”, consagrada pelo antropólogo Roberto DaMatta como representação maior do caráter hierárquico dos cidadãos brasileiros, em sentido oposto ao princípio da igualdade e frontalmente inverso ao efetivo exercício da democracia. Ou, como assevera DaMatta: “(...) avesso à crítica honesta, ao estudo sério e à impessoalidade das regras universais, sempre distorcidas em nome de uma relação pessoal importante.” Enfim, os chamados “carteiraços”, a utilização de veículos públicos para fins particulares, a repulsa de diversas lideranças políticas à aprovação do projeto de lei Ficha Limpa, dentre outros atentados contra a democracia, são consequências do caráter individualista, hierárquico, autoritário e avesso à impessoalidade da cultura patrimonial brasileira, que favorece condições perfeitas à reprodução de um ciclo vicioso e persistente.
* Promotor de Justiça, autor do projeto “O que você tem a ver com a corrupção?"
O promotor de justiça Affonso Ghizzo Neto* publicou um artigo hoje no Diario Catarinense a respeito do assunto. Aqui está:
Artigo - Sabe com quem está falando?
Carteiraços, uso particular de veículos públicos, engavetamento do projeto Ficha Limpa, aprovação da Lei da Mordaça (Lei Maluf), dentre outros acontecimentos, tudo isso pode ser compreendido a partir de uma leitura histórica da cultura brasileira e de seus objetos socioculturais. O que ocorreu nos tempos da colonização brasileira, seja no proceder autobeneficente dos funcionários públicos, seja na autodeterminação dos caudilhos, foi o flagrante predomínio e a disseminação da ideia da relevância dos interesses privados em comparação com os objetivos comuns públicos. A organização de dominação patrimonial já vinha desenvolvida da Coroa, sendo implementada na Colônia a partir de objetivos eticamente pessoais, individualistas, privativos e casuísticos, todos fermentados pela institucionalização da impunidade, quadro dramático que possibilitou o crescimento e a disseminação desenfreada de uma ética predatória.
Neste contexto, vale destacar uma abordagem à expressão “você sabe com quem está falando?”, consagrada pelo antropólogo Roberto DaMatta como representação maior do caráter hierárquico dos cidadãos brasileiros, em sentido oposto ao princípio da igualdade e frontalmente inverso ao efetivo exercício da democracia. Ou, como assevera DaMatta: “(...) avesso à crítica honesta, ao estudo sério e à impessoalidade das regras universais, sempre distorcidas em nome de uma relação pessoal importante.” Enfim, os chamados “carteiraços”, a utilização de veículos públicos para fins particulares, a repulsa de diversas lideranças políticas à aprovação do projeto de lei Ficha Limpa, dentre outros atentados contra a democracia, são consequências do caráter individualista, hierárquico, autoritário e avesso à impessoalidade da cultura patrimonial brasileira, que favorece condições perfeitas à reprodução de um ciclo vicioso e persistente.
* Promotor de Justiça, autor do projeto “O que você tem a ver com a corrupção?"
quarta-feira, 21 de abril de 2010
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